domingo, 18 de fevereiro de 2018

Ciência explica por que tendemos a querer mudar para a fila do lado

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IFilas únicas tendem a ser mais eficientes
Não importa em qual fila você esteja, a sensação é que a do lado irá mais rápido. Mas mesmo que você mude de fila, a sensação continua: parece que a fila abandonada começou a andar justamente quando você saiu.
E aí, como agir? Ter paciência e esperar, mudar novamente ou desistir totalmente do que você precisava fazer?
O pesquisador Ryan Buell, da Escola de Negócios da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, estudou justamente como os consumidores se comportam diante dessa situação.
De acordo com sua pesquisa, quando uma pessoa está em último na fila, tem quatro vezes mais chance de abandoná-la e duas vez mais chances de trocar de fila – mesmo que a outra fila não esteja objetivamente andando mais rápido. Mas se houver alguém atrás desse indivíduo, as chances caem.
Se mudar de lugar não necessariamente trará algum benefício, por que o fazemos?

A mulher do padre

Segundo Buell, esse comportamento é resultado de um fenômeno chamado "aversão ao último lugar" - que é o profundo desconforto sentido por pessoas ao ganhar menos do que outras, tirar a menor nota em uma prova ou ser o último da fila.
Especialista em gestão de negócios, Buell organizou um teste. Antes, avisou aos participantes de que ele demoraria cinco minutos para ser completado.
FilaDireito de imagemGETTY IMAGES  Entender o comportamento e a eficiência das filas é importante para a logística de negócios
A tarefa na verdade demorava apenas um minuto, mas os participantes tinham que esperar em uma fila virtual antes de chegar ao formulário. Eles começavam no fim da fila e podiam esperar, trocar de fila ou cancelar a operação.
Uma entre cada cinco pessoas no fim da fila ficavam impacientes e mudavam para outra, sendo que a troca resultava em uma esperava 10% maior do que se eles tivessem ficado em seu lugar original. Quem trocou de fila duas vezes acabou tendo uma espera 67% maior.
O problema, de acordo com o pesquisador, é que a ansiedade é maior para quem está no fim da fila. Mas o número de pessoas atrás de você não tem absolutamente nada a ver com a velocidade com que a fila anda.
Quando entramos em uma, tendemos a fazer uma escolha de entrar na fila menor. Mas se vemos outra fila andando rápido, a aversão pelo último lugar pode nos levar a tomar uma decisão não muito racional, já que não temos toda a informação necessária para saber se o ritmo continuará aquele, se a outra espera será realmente menor.

A fila anda

Como evitar a tentação?
É bem simples, segundo o pesquisador: evitar olhar para trás ou conversar com as outras pessoas na fila parar passar o tempo.
A ONG americana Desmos, que visa promover a paixão pela matemática, também dá conselhos sobre como escolher uma fila. A organização diz que é melhor escolher a espera mais à esquerda, já que a maioria das pessoas é destra e tende a ir pela direita.
E no supermercado é melhor pegar a fila única que é atendida por diversos caixas (normalmente reservada para quem está com poucos volumes) - ela normalmente é mais comprida, mas anda mais rápido.
Segundo a teoria das filas - ramo da probabilidade que estuda a formação de filas do ponto de vista matemático -, as filas únicas são mais eficientes para atendimentos de consumidores, já que quem chega primeiro é atendido primeiro, independentemente da eficiência de cada caixa ou posto de atendimento.

Como fazer 3 exercícios básicos para se manter em forma

Especialistas recomendam flexão, prancha e agachamento para quem não tem tempo de ir à academia.Direito de imagemTHINKSTOCK
Image captionEspecialistas recomendam flexão, prancha e agachamento para quem não tem tempo de ir à academia.
Não é preciso ser um "rato de academia" para já ter ouvido falar de flexão, prancha ou agachamento.
Segundo especialistas, esses são os três melhores exercícios para quem quer ficar em forma.
Atletas profissionais ou amantes dos esportes sabem disso.
Mas a melhor vantagem deles é que podem ser realizados em qualquer lugar, sem a necessidade de um equipamento específico ou de um espaço especialmente adaptado, como academias.
Ainda assim, é preciso prestar atenção a alguns detalhes, de forma a potencializar benefícios e reduzir lesões.
O preparador físico britânico Martin Cullen explicou à BBC a forma correta de realizar esses três exercícios. Confira.
Posição inicial das flexões é fundamental para obter maior benefício com exercício
Image captionPosição inicial das flexões é fundamental para obter maior benefício com exercício

Flexões

As flexões são uma das melhores maneiras de fortalecer a parte superior do corpo.
O exercício tem de ser realizado de forma controlada e pausada, sem movimentos bruscos.
Ao flexionar os cotovelos, mantenha a postura do resto do corpo
Image captionAo flexionar os cotovelos, mantenha a postura do resto do corpo
A postura é fundamental, já que uma posição errada pode aumentar o risco de lesões.
O movimento deve ser iniciado com o corpo voltado para baixo, apoiado nos braços e com as mãos separadas por uma distância superior à dos ombros.
É preciso manter o corpo reto com a cabeça inclinada para baixo, voltada para o chão.
Ao tocar o chão, retorne à posição inicial
Image captionAo tocar o chão, retorne à posição inicial
Já os tornozelos, os joelhos, os quadris e os ombros devem estar alinhados.
Não deixe que a pelve caia ou empurre os glúteos para fora.
Lembre-se também de deixar que o peito toque levemente o solo, com os cotovelos em uma posição de 90 graus.
Faça força com os braços empurrando-os para cima até chegar à posição inicial.
E não se esqueça de expelir o ar na medida em que faça força para subir.
Concentre-se e use os músculos dos ombros, peitoral e tríceps.
Respire novamente ao reiniciar o exercício.
Prancha é melhor maneira de fortalecer região do CORE
Image captionPrancha é melhor maneira de fortalecer região do CORE

Prancha

É a melhor maneira para fortalecer a região do CORE, composta pelos músculos do abdômen, glúteos e lombar.
Trata-se de um exercício isométrico, durante o qual não há movimento.
No entanto, é vital manter a postura correta. Caso contrário, lesões podem aparecer.
Confira abaixo os detalhes de cada parte do corpo envolvida nesse exercício.
Bumbum: mantê-lo em posição estática, sem deixar que suba ou desça.
Pés: podem estar juntos ou separados, depende do que achar mais cômodo.
Pelve: deve estar alinhada de maneira natural com a coluna vertebral. Não que ela caia.
Costas: Mantê-las retas. Não arqueie as costas, nem para cima nem para baixo, já que isso pode causar lesões, gerar dor e impedir o trabalho efetivo dos músculos do CORE.
Pescoço: posicione-o voltado para o chão e mantenha-o erguido. Não levante a cabeça já que isso pode afetar a região inferior do pescoço.
Cotovelos / antebraços: devem estar posicionados por debaixo dos ombros. Não deixe que os ombros e os braços toquem o chão.
Ombros: tanto os ombros quanto os braços devem estar posicionados de forma a aguentar o peso do corpo.
Mantenha a concentração ao realizar o exercício
Image captionMantenha a concentração ao realizar o exercício

Agachamentos

Os agachamentos permitem trabalhar todos os grandes músculos do parte inferior do corpo, mas erros em sua execução podem comprometer sua eficiência.
Lembre-se de separar os pés e nivelá-los com os quadris, de forma que os dedos apontem levemente para fora.
O movimento começa dobrando-se os joelhos para baixar o tórax.
Evite movimentos bruscos
Image captionEvite movimentos bruscos
Não deixe que os joelhos cedam ao peso e se dobrem para dentro.
Mantenha as costas retas, com o bumbum apontando para trás.
É também recomendável fazer uma pausa quando alcançar a posição inferior, com os músculos paralelos ao chão.
Ao subir, mantenha a cabeça reta, sempre olhando para frente.
O tórax também deve ser mantido reto, evitando que se curve para frente.
Retorne à posição inicial e repita o movimento.
Agachamentos trabalham parte inferior do corpo
Image captionAgachamentos trabalham parte inferior do corpo

Alerta

A facilidade ou a dificuldade para realizar esses três exercícios dependerá de sua capacidade física.
Se você está começando, não faça mais do que cinco repetições de cada um deles.
Você pode aumentar a intensidade na medida em que seu corpo ganhar fortalecimento.
Caso sinta dor, pare imediatamente o exercício. Se ela não desaparecer, consulte um médico.

Busca pela felicidade está nos tornando infelizes, diz pianista que sobreviveu a abusos e tentativa de suicídio

James Rhodes
Para pianista, a felicidade "é, simplesmente, um estado de ser, que é fluido, passageiro e às vezes inatingível" | Foto: Reprodução HARDtalk/BBC
A busca pela felicidade está nos tornando infelizes e as redes sociais não estão ajudando.
A opinião é do pianista James Rhodes, que sobreviveu a anos de abuso sexual na infância seguidos de tentativas de suicídio.
"Não somos destinados a ser felizes o tempo inteiro", diz ele no quadro opinativo Viewsnight, do programa da BBC Newsnight, afirmando que a busca pela felicidade a todo custo está nos tornando infelizes.
Na visão do pianista, "a busca pela felicidade parece nobre, mas é fundamentalmente falha".
Ele considera que "a felicidade não é algo a se perseguir mais do que a tristeza, a raiva, a esperança ou o amor".
A felicidade "é, simplesmente, um estado de ser, que é fluido, passageiro e às vezes inatingível".
Negar a existência de outros sentimentos, nem sempre considerados positivos, afirma, não é o melhor caminho.
Imagem mostra homem fazendo selfieDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption"As selfies cuidadosamente escolhidas postadas no Instagram" e outros aspectos vistos nas redes sociais, segundo o pianista, "não estão ajudando"

Redes sociais

Rhodes observa que estamos em uma era de ritmo sem precedentes no dia a dia e que "nossa mentalidade 'sempre ligada' criou um ambiente impraticável e insustentável".
"Estamos em apuros", diz ele. "E as selfies cuidadosamente escolhidas postadas no Instagram; a perfeição física espalhada por todas as mídias -inalcançável e extremamente 'photoshopada' - e o anonimato das redes sociais, onde descarregamos nossa ira, não estão ajudando".
Especialistas já alertam que o uso de redes sociais pode causar ou agravar doenças mentais, como depressão.
O pianista defende que esse tipo de doença - com o qual sofre há 20 anos - seja urgentemente repensado e também classificado, enquanto expressão, como simplesmente "condição humana" e não mais como doença mental.
Imagem mostra emoticons com expressões de tristeza e alegriaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionRhodes chama a atenção para os diferentes tipos de sentimento que permeiam a vida e nem todos têm a ver com satisfação ou alegrias

"Sentimentos desafiadores"

Rhodes chama a atenção para os diferentes tipos de sentimento que permeiam a vida e nem todos têm a ver com satisfação ou alegrias. Há também o outro lado.
"Todos nos sentimos alternadamente ansiosos, para baixo, tranquilos, aflitos, contentes. Ocasionalmente, alguns de nós podemos nos perder no continuum em direção a depressão, ao transtorno de estresse pós-traumático e a pensamentos suicidas", diz.
Mas pondera: "Só porque não estamos felizes não significa que estamos infelizes".
Para o pianista, assim é a complexidade da vida: "repleta de sentimentos e situações tumultuados, desafiadores e difíceis".
"Negá-los, resistir a eles, se desculpar por eles ou fingir que não existem é contra-intuitivo e contraproducente".
Foi justamente o caminho contrário, o do reconhecimento de que "coisas ruins também acontecem" e de que é preciso falar sobre elas que ele decidiu trilhar há alguns anos - quando resolveu contar em livro episódios de abusos sexuais e outros problemas que enfrentou ao longo da vida.
James Rhodes tocando piano
Image captionJames Rhodes: Para ele, negar sentimentos e situações tumultuados, desafiadores e difíceis é contraproducente | Foto: Reprodução HARDtalk/BBC

Abusos

Rhodes foi vítima de abusos sexuais cometidos por um professor quando tinha entre 6 e 10 anos de idade.
Ele detalhou a história 30 anos depois no livro "A Memoir of Madness, Medication and Music", publicado em 2015 e traduzido para o português como "Instrumental: memórias de música, medicação e loucura".
Antes, no entanto, enfrentou 14 meses de batalha judicial com a ex-mulher, que tentava impedir a publicação argumentando que o livro - que relata não apenas os abusos como também os problemas psiquiátricos que se seguiram - poderia traumatizar o filho do casal, na época com 12 anos de idade.
Entre os famosos que apoiaram o pianista na época estava o ator e amigo de infância Benedict Cumberbatch, intérprete do detetive Sherlock Holmes, na série Sherlock, da BBC, e indicado ao Oscar pelo filme "O Jogo da Imitação".
O livro de Rhodes detalha que o pianista foi estuprado repetidas vezes por seu professor de educação física e boxe em uma escola particular de elite em Londres.
A isso seguiram-se anos de uso de drogas e álcool, comportamentos autodestrutivos, tentativas de suicídio e uma temporada de internação em um hospital psiquiátrico.
Uma reviravolta em sua vida só ocorreu quando ele, que havia deixado de tocar havia dez anos, procurou um dos maiores agentes do mundo para propor uma parceria.
Imagem mostra as mãos do pianista e um piano
Image captionO pianista James Rhodes sofreu abusos e sobreviveu a tentativas de suicídio. Sua vida teria mudado a partir da música | Foto: Reprodução HARDtalk/BBC

Salvo pela música

O agente ficou fascinado ao ouvi-lo tocar e decidiu que não se tornaria seu sócio, mas que faria com que voltasse para a música.
Rhodes voltou então a ter aulas, com um dos mais reconhecidos professores da Itália, e acabou mudando de vida. Foi salvo pelo piano.
Já conhecido no cenário musical, ele denunciou o homem que aponta como autor dos abusos, identificado como Peter Lee. À época da denúncia, o suspeito dava aulas de boxe para crianças de dez anos.
Ele tinha cerca de 70 anos quando foi preso e indiciado por abuso sexual. Morreu, no entanto, antes de ser julgado.
"Há períodos em que eu me desprezo, em que eu quero me machucar, em que eu quero morrer. E há períodos em que eu me sinto bem no mundo e todas essas coisas são naturais para mim", diz Rhodes no Viewsnight, da BBC, ao abordar a questão da busca pela felicidade. Ele sugere: "Talvez nós possamos focar em celebrar nossa bagunça individual".


Preocupação com vício em celulares coloca setor de tecnologia na defensiva

TIM BRADSHAW
DO "FINANCIAL TIMES"
12/01/2018 A boy makes faces while testing out the Animoji feature on an iPhone X at the Apple Store Union Square on November 3, 2017, in San Francisco, California. Apple's flagship iPhone X hits stores around the world as the company predicts bumper sales despite the handset's eye-watering price tag, and celebrates a surge in profits. / AFP PHOTO / Elijah Nouvelage
Garoto usa iPhone X em loja da Apple

Na edição deste ano da Consumer Electronics Show (CES), havia poucos problemas para os quais a solução do setor de tecnologia não fosse "mais tecnologia".
Assim, quando os fabricantes mundiais de eletrônicos acorreram a Las Vegas nesta semana para seu maior evento anual, o momento não poderia ser pior para que dois acionistas da Apple, que juntos detêm cerca de US$ 2 bilhões em ações da fabricante do iPhone, lançassem uma campanha sobre o vício em tecnologia e a saúde das crianças.
Ainda pior, os investidores fizeram de uma questão social que vinha ganhando ímpeto lentamente nos últimos 12 meses uma ameaça aos preços das ações do setor, argumentando que "a saúde dos jovens e da sociedade e, longo prazo" está "inextricavelmente ligada" à "viabilidade em longo prazo" de companhias como a Apple.
Ver o assunto de volta às manchetes no momento em que a CES estava começando apanhou o setor de surpresa. Ao contrário da inteligência artificial, dos robôs e da realidade virtual, o vício digital não estava entre os tópicos quentes da feira, nesta semana.
Muitos executivos de tecnologia vêm lidando com o problema em suas vidas pessoais, e número crescente de pais do Vale do Silício limitam o uso de smartphones por seus filhos.
Mas o impacto que encorajar os clientes a usar menos seus produtos teria sobre os lucros torna difícil discutir o problema, para as empresas de tecnologia, desenvolvedores de software e operadoras de telecomunicações.
"O pessoal das companhias que desenvolvem aparelhos estão cientes disso há algum tempo", diz Fred Bould, fundador do Bould Design, um estúdio que já trabalhou para empresas de tecnologia como a Nest, GoPro e Roku.
"O ônus fica para pais, mas seria ótimo que as empresas de mídia social e os fabricantes de aparelhos criassem controles fáceis de usar, acessíveis e transparentes. Não acredito que isso exista agora."
Em carta aberta à Apple publicada no domingo (7), a Jana Partners e o Sistema de Aposentadoria dos Professores da Califórnia, um fundo de pensões, apontaram para "as provas cada vez mais substanciais" de que o uso de smartphones e mídia social pelos jovens "pode ter consequências negativas imprevistas. Elas podem variar de perda de atenção na escola e perda de sono a depressão e perda de empatia".
Os investidores citaram pesquisas que apontam que metade dos adolescentes dos Estados Unidos afirmam que se sentem "viciados" em seus smartphones.
"Existe um consenso cada vez maior em todo o mundo, o que inclui o Vale do Silício, de que as potenciais consequências em longo prazo das novas tecnologias precisam ser pensadas desde o começo", escreveram os investidores, "e que nenhuma empresa deve terceirizar a responsabilidade para os designers de apps, nenhum dos quais conta com massa crítica."
Até mesmo alguns dos indivíduos que ajudaram a criar o iPhone concordam quanto à crise que se aproxima, e dizem que os adultos também estão em risco, não só as crianças.
"O vício em aparelhos é uma realidade", disse Tom Fadell, antigo executivo da Apple que ajudou a projetar o iPhone e depois criou a Nest, em uma série de tuítes sobre a questão esta semana.
"Apple Watches, Google Phones, Facebook, Twitter —eles se tornaram muito bons em nos fazer clicar mais uma vez, em nos dar aquela dose adicional de dopamina. Agora têm a responsabilidade e necessidade de começar a nos ajudar a perceber e administrar nossos vícios digitais", afirmou Fadell.
"Teremos regulamentações sobre isso algum dia apenas se as empresas de tecnologia não se manifestarem."
A Apple respondeu estar "sempre pensando no bem das crianças" e que a empresa já oferece "controles familiares intuitivos, que são parte do sistema operacional".
Em entrevistas durante a CES, executivos do setor de tecnologia defenderam o impacto social de seus produtos.
"Acredito que a transformação criada pelo smartphone na sociedade provavelmente seja tão significativa quanto a criada pelo carro e pela eletricidade", disse Cristiano Amon, presidente da Qualcomm, cujos chips têm papel central em muitos aparelhos móveis.
Yang Yuanqing, presidente-executivo do grupo de eletrônica chinês Lenovo, adotou posição semelhante. "Os smartphones definitivamente tornam nossas vidas mais fáceis e mais convenientes."
A Motorola, fabricante de aparelhos móveis controlada pela Lenovo, é uma das poucas a lidar com a questão abertamente. Ela oferece um teste on-line para que os usuários avaliem seu "equilíbrio fone/vida"; uma das perguntas é: "Você é dono de seu celular ou o celular é seu dono?".
Mas a empresa também recomenda mais tecnologia para enfrentar o problema —apps como o Offtime e o AntiSocial, para ajudar os pais a limitar o uso de smartphones pelos filhos ou a bloquear notificações que os distraiam.
Simon Segars, presidente-executivo da Arm Holdings, empresa de projeto de chips para aparelhos móveis, disse que o ônus de garantir que crianças usem seus smartphones responsavelmente "é das pessoas", não da tecnologia.
"Às vezes é preocupante ver uma criança pequena de olhar fixo na tela de seu celular, mas o problema vem dos pais, da criação dessa criança", disse. "Antes de existirem os celulares, ela estaria distraída com outra coisa."

Descendente de japonês está 1 ano na frente em matemática na rede pública

Descendente de japonês está 1 ano na frente em matemática na rede pública


Zanone Fraissat/Folhapress
Samira, 8 fillha de Elisabete (Lisa) Shizuka da Silva Umeda, 28 - Materia mostra que descendentes de japoneses estao na frente dos brasileiros em matematica e portugues.Foto: Zanone Fraissat - Folhapress / COTIDIANO)***EXCLUSIVO***//SAO PAULO/SP-BRASIL, 21/12/2017 - Thais, 11, neta de Ivete Hiroko Nakagawa, 60 - Materia mostra que descendentes de japoneses estao na frente dos brasileiros em matematica e portugues.Foto: Zanone Fraissat - Folhapress / COTIDIANO)***EXCLUSIVO***//SAO PAULO/SP-BRASIL, 21/12/2017 - Marcelo Miyazaki Almeida, 19 - Materia mostra que descendentes de japoneses estao na frente dos brasileiros em matematica e portugues.Foto: Zanone Fraissat - Folhapress / COTIDIANO)***EXCLUSIVO***//SAO PAULO/SP-BRASIL, 21/12/2017 - Paulo Miyazaki Almeida Nicoletti, 17 - Materia mostra que descendentes de japoneses estao na frente dos brasileiros em matematica e portugues.Foto: Zanone Fraissat - Folhapress / COTIDIANO)***EXCLUSIVO***
Os nikkeis (descendentes de japonês) Samira, 8, Thais, 11, Marcelo, 19, e Paulo, 17
ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
DE SÃO PAULO 24/12/2017

Crianças descendentes de avós ou bisavós japoneses estão um ano à frente dos de ancestralidade ibérica no aprendizado de matemática nas escolas públicas do país.
O fenômeno aparece em pesquisa que usou dados de todas as escolas da rede para investigar como valores culturais são transmitidos nas famílias e qual o impacto da cultura no aprendizado.
Seus autores, os economistas Daniel Lopes, Geraldo Silva Filho e Leonardo Monasterio, adotaram metodologia inédita no país para identificar sobrenomes de origem ibérica, japonesa, germânica, leste-europeia, italiana e sírio-libanesa (leia abaixo).
Em matemática, descendentes de ibéricos foram superados pelos de famílias japonesas, germânicas, leste-europeias e italianas, e pelos de famílias mistas em que ao menos um pai não é ibérico.
Quando pai e mãe descendem de japoneses, a vantagem em matemática equivale a um ano de aprendizado.

Editoria de arte/Folhapress
DESCENDENTES DE IMIGRANTES NA ESCOLADesempenho, em % acima da média do resultado dos de ancestralidade ibérica*
O trabalho estuda os resultados da terceira geração ou acima dela. "São crianças nascidas e criadas no Brasil, sob as mesmas instituições, mas com herança cultural diferente", diz Leonardo Monasterio, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
A conclusão é que existe um "prêmio de ancestralidade" na performance educacional, diz Geraldo Silva Filho, especialista em políticas públicas e gestão governamental, atualmente no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Não só a cultura afeta o aprendizado, mas a diferença se amplia do terceiro para o quinto ano, acrescenta Daniel Lopes, do Ipea. Explicar como isso acontece, porém, requer novas investigações, dizem os pesquisadores.
Cultura e aprendizado
A estudante Thais, descendente de japoneses

Já a professora de matemática e também nikkei Cristina Canto, 43, cansada de ouvir que "japonês já nasce com facilidade para matemática", resolveu pesquisar o fenômeno em sua dissertação de mestrado, na USP. "Aprender matemática é como tocar um instrumento ou jogar bola: tem que treinar, demanda esse esforço que o japonês -e o oriental em geral- aceita mais naturalmente", afirma.
Filha de pequenos comerciantes, Cristina diz que nunca foi cobrada pelos pais, mas sempre teve convicção de que precisava ir bem nos estudos para melhorar de vida. Já seu primeiro filho, hoje com 23 anos, repetia frequentemente que não queria decepcioná-la. A mesma preocupação de Ivete Hiroko Nakagawa, 60.
"A gente pensava no sobrenome que carrega, na honra da família. Minha mãe só foi até o terceiro ano primário, meu pai até o quarto. Para eles era muito importante nossa educação, porque eles eram humilhados. E a gente estudou para mostrar que eles eram importantes." Ivete cria a neta, Thais, 11, com a mesma expectativa: "Nota 8 eu não acho muito boa".
Um dos novos projetos dos economistas do Ipea e do Inep é correlacionar os sobrenomes com resultados de questionários de competências socioemocionais. Entre as hipóteses estão a de que algumas culturas são menos imediatistas —aceitam esforço e sacrifício no presente para obter resultados no futuro.
Um maior grau de consciência (que envolve disciplina, responsabilidade e autonomia ) também tem sido relacionado a melhor desempenho em matemática em pesquisas internacionais.
Para Silva Filho, um dos motivos pelos quais é importante investigar as causas do "prêmio ancestralidade" é atenuar as desigualdades: "Achar formas para que os de culturas que não se refletem em desempenho escolar consigam compensar a defasagem na escola, para que todos os grupos tenham oportunidades semelhantes".
COMO FOI FEITO O ESTUDO
(a íntegra)
>> Origem de mais de 71 mil sobrenomes foi levantada com base em registros do Museu de Imigração paulista e nos censos históricos americanos, entre outras fontes; outros 220 mil tiveram sua origem identificada por programas de computador escritos especialmente para isso
>> A referência permitiu identificar a ancestralidade de 74.608 sobrenomes dos alunos e de seus pais, obtidos no Censo Escolar de 2013 e de 2015
>> Como sobrenomes ibéricos foram adotados por ex-escravos, de cultura africana, o grupo ibérico no estudo inclui brancos, pardos e amarelos
>> A pesquisa comparou o desempenho dos estudantes em exames que são avaliados sem identificação do aluno; em matemática, mais de 2 milhões de provas foram computadas
>> Os dados do MEC permitiram acompanhar um mesmo aluno ao longo do tempo
>> Para evitar interferências de outros fenômenos nas notas, os pesquisadores compararam alunos de mesmo nível socioeconômico e defasagem idade-série semelhante, e isolaram o possível impacto de mudança de escola
>> Foram avaliadas notas dentro de uma mesma turma, o que iguala características como o professor, a estrutura física, a presença de bagunceiros ou a possibilidade de a escola separar os alunos por classe de acordo com o desempenho
>> Na análise do desempenho dos alunos no quinto ano, os economistas controlaram pelo resultado obtido no terceiro ano, ou seja, compararam alunos cujo resultado havia sido semelhante
LIMITES E NOVAS INVESTIGAÇÕES
Entre os limites do trabalho, Lopes aponta que o índice socioeconômico pode esconder algumas distorções -uma moradia de um cômodo pode ser um loft ou um quarto, por exemplo.
"Os exames estudados também são 'low-stakes', os alunos não serão penalizados pelo resultado. Em exames 'high-stakes', em que as consequências são maiores, o resultado pode se alterar."
Lopes ressalta também que, embora o estudo tenha feito muitos controles, sempre pode haver outros fatores que afetam o aprendizado.
"Por exemplo, não sabemos que os descendentes de japoneses têm maior peso ao nascer, o que pode mostrar melhor nutrição, que leva a mais capacidade cognitiva."